Olhos, tinha-os negros. A manhã de pernas longas arreganhava raios gélidos sobre rostos morenos distendidos no chão. Fitava-a, enquanto girantes pás barulhavam sobre os corpos. Um ar pesado e lento, tempo esticado entre preguiças e comemorações televisionadas.
Já posso dar bom dia?
Não sei, acho que os músculos não respondem, então, até não responderem, o dia não começou pra mim.
Complicado…
Até que não. É só uma questão de princípios.
Lábios num rompante. Línguas. Os sons ensurdecem quando sentidos aguçam. Atritam-se peles entre a seda e a brisa vinda do teto. Uma torcida vibrante por um jogo trilha-sonora de carícias. Invadia a manhã janela adentro, cozinhando as pernas nuas dos dois. Mas eram um ser de quatro pernas, meio-polvo de sensações e descobrimentos. Desbravadores de si mesmos. Dedos entre cabelos longos cobrindo os seios.
Já posso?
Já pode.

4 comments
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17 Junho, 2007 às 12:52 am
Marcelo
Booom texto, Filipe!
Até na subjetividade você consegue florescer uma imagem-conceito: raio pairando sobre a escuridão das letras.
Bem-vindo, meu velho, a tua casa.
17 Junho, 2007 às 2:24 pm
Srta. Bia
Eu daria o título de “esquenta…” ou “manhã quente” ou algo assim.
Lipe!!!! No mesmo blog de Marcelo Monteiro, ai meninos, vocês me matam!
17 Junho, 2007 às 6:54 pm
Luisa
Gosto do texto. Acho que tem palavras (como posso dizer…?) “diferentes” de mais no começo. Fica meio poluído. Mas tem um bom ritmo. Me gusta mucho.
Saudações do lado de cá.
20 Junho, 2007 às 9:50 pm
Mariana
Nem precisei ler seu nome pra saber quem tinha escrito isso . . .