Olhos, tinha-os negros. A manhã de pernas longas arreganhava raios gélidos sobre rostos morenos distendidos no chão. Fitava-a, enquanto girantes pás barulhavam sobre os corpos. Um ar pesado e lento, tempo esticado entre preguiças e comemorações televisionadas.
Já posso dar bom dia?
Não sei, acho que os músculos não respondem, então, até não responderem, o dia não começou pra mim.
Complicado…
Até que não. É só uma questão de princípios.
Lábios num rompante. Línguas. Os sons ensurdecem quando sentidos aguçam. Atritam-se peles entre a seda e a brisa vinda do teto. Uma torcida vibrante por um jogo trilha-sonora de carícias. Invadia a manhã janela adentro, cozinhando as pernas nuas dos dois. Mas eram um ser de quatro pernas, meio-polvo de sensações e descobrimentos. Desbravadores de si mesmos. Dedos entre cabelos longos cobrindo os seios.
Já posso?
Já pode.

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